Cleuza Santa Cruz Tavares, por Clotilde Tavares 
Nasceu em 1º de novembro de 1921
Morreu em 7 de dezembro de 1997.  
Em 1947, com seu cachorro Pinóquio
"A MARQUESA"  

por Clotilde Tavares  

Publicada na Tribuna do Norte, de Natal, em 13-05-2001.  

Como hoje é Dia das Mães, nada mais justo, meu caro leitor, que eu use aqui esse espaço para homenagear a minha mãe. Através dela, quero homenagear a todas as mães e filhos que me lêem neste dia.  

Cleuza Santa Cruz Tavares nasceu em 1921, na pequena vila de Coxixola, município de São João do Cariri, na Paraíba. A infância passada em fazendas, no interior de Pernambuco, onde meu avô Pedro Quirino criava uma meia dúzia de cabeças de gado, lhe deu valores sertanejos que a acompanharam até o fim: honra, dignidade, destemor.  

Casou-se aos 18 anos com Nilo Tavares, que na época era Secretário da Prefeitura de Angelim, Pernambuco. Depois de morarem em Igarassu, Recife e Jaboatão, 
vieram para Campina Grande em 1945 onde se fixaram e onde lhe nasceram os filhos: Clotilde, Bráulio, Pedro e Inês.  

Dedicou-se à casa e à família até que todos crescemos, casamos e saímos de casa. Foi aí que ela resolveu realizar o grande sonho da sua vida: formar-se em  Direito e advogar. Então esta mulher, que só tinha estudado até o primeiro ano primário, aos 52 anos matriculou-se no então chamado Artigo 99 e em dois anos fez o primeiro e o segundo grau. Prestou Vestibular para Direito na Universidade Regional do Nordeste e passou em quarto lugar. Em 1980, com quase 60 anos de idade, formou-se finalmente em Direito.  

Um golpe do destino truncou-lhe a carreira nascente: o meu pai teve um derrame, passando a necessitar de cuidados intensivos e ela deixou de cumprir o ideal para atender a quem dela precisava, como o fez durante toda a vida.  

O espaço desta coluna é pouco para falar sobre Dona Cleuza. Sem poder assumir o sonhado escritório de advocacia, nas solitárias noites em casa, lia, escrevia e ouvia no rádio suas músicas preferidas. Em tom de brincadeira, inventou para si própria um título - a Marquesa, pelo qual ficou conhecida na cidade - que usava para telefonar para os programas de rádio pedindo as músicas dos seus cantores preferidos: Roberto Carlos, Gilliard, Altemar Dutra. Gostava de música brega e era assumidamente fã desse estilo.  

Quando encontrava quem cuidasse de papai, ia aos bares, acompanhada de amigos e amigas muito mais jovens do que ela, onde tomava cerveja, cantava e se divertia. Sua mesa sempre estava cheia de jovens e de artistas, porque ela amava o teatro e sempre tinha atores e atrizes por perto. João Marcelino e Marcos Bulhões a conheceram nas longas vigílias artísticas que se faziam no Festival de Arte de Campina Grande, onde "A Marquesa" era presença marcante.  

Com ela aprendi coisas que ainda são fundamentais na minha vida. Ensinou-me a não maltratar os animais, a honrar a palavra dada e a me orgulhar de ser mulher e nordestina. Com ela aprendi a rir da desgraça e das peças que a vida nos prega. Aprendi a não levar desaforo para casa e a não ter medo de nada. Aprendi também a ser hospitaleira, a ser solidária e a defender quem está por baixo ou é vítima de preconceito.  

Um edema agudo de pulmão a levou em dezembro de 1997. Mas enquanto aqueles valores sertanejos que ela nos inculcou correrem nas nossas veias, e nas dos nossos filhos e netos, Dona Cleuza, a Marquesa, continuará tão viva como sempre esteve. E é para ela que eu volto o meu coração e a reverencio neste dia.  

Feliz Dia das Mães, Mamãe. 

 Foto 2 
Aqui estou 
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