Nilo Tavares, por Clotilde Tavares
Nasceu em 24/10/1912 e morreu em 4 de maio de 1999.
Jornalista, poeta, boêmio, Nilo Tavares nasceu em 1912, em Penedo, Alagoas, e veio ainda muito pequeno para Recife, com os pais, o jornalista e poeta Fernandes Tavares e Clotilde Pereira Tavares. Seus outros irmãos, todos dedicados às letras, eram Stélio, Nabuco e Cláudio, e as mulheres Amelina, Cândida e Luísa. Apenas Cândida ainda é viva.  

Um das coisas de que eu mais gostava, ainda adolescente, era ouvir o relato das aventuras dele quando rapaz jovem, em Recife, aprontando palhaçadas nos bairros da Torre e Madalena, onde morou. Através do meu pai vinha toda aquela vida das décadas de 1930 e 1940, da boemia, da poesia, dos encontros no bar Savoy, das histórias da revolução de 1930.  

Papai tinha apenas o curso primário. Era autodidata em tudo o que fazia e isso para ele era motivo de orgulho. Desde jovem fez todo tipo de coisa: foi gráfico, escreveu para jornais, fez versos de encomenda e finalmente, como secretário da Prefeitura de Angelim, Pernambuco, conheceu Cleuza Santa Cruz Quirino, com quem casou em 1941.  

Em Campina Grande, onde passaram a morar a partir de 1946, foi funcionário da firma de J. Montano Leite, tipógrafo na Livraria Pedrosa, redator das Rádios Borborema e Cariri e posteriormente do "Diário da Borborema".  

Em 1947 nasceu Clotilde (eu mesma), seguida por Braulio (1950), Pedro (1954) e Inês (1959).  

Ocupou a cadeira numero 27 do "Clube Literário de Campina Grande", cadeira cujo patrono era Emílio de Menezes, militou intensamente nos meios esportivos locais, não apenas como comentarista esportivo de rádio e jornal, mas também como admirador e eventual membro de diretoria do Paulistano Esporte Clube e Treze Futebol Clube.  

Por três vezes candidatou-se à Câmara de Vereadores, não tendo sido eleito: em 1951 pelo PSB, em 1963, e em 1968 pelo MDB. Na terceira tentativa, aproveitando as pichações de "vote nulo", mandou pichar um "i" por cima do "u", ficando "Vote Nilo". Foi quando teve mais votos.  

No final dos anos 50 tornou-se secretário executivo da Federação das Indústrias do Estado da Paraíba, onde permaneceu vários anos, até ser convidado para secretário da recém-criada Faculdade de Ciências Econômicas (FACE) da Universidade Federal da Paraíba, tendo permanecido nesta função até 1970.  

Com a nomeação de Antonio Lucena para o cargo de Reitor da Universidade Regional do Nordeste (URNe), foi convidado para seu Chefe de Gabinete. Permaneceu nesta posição durante três reitorados sucessivos da Universidade: Antonio Lucena, Luís Almeida e José Figueiredo.  

Aposentou-se por invalidez em 1980, após sofrer uma trombose. Aí, dedicou-se ao seu passatempo predileto, o charadismo, tendo sido um dos membros mais ativos da TERNOR (Tertúlia Nordestina). Publicou, em edição independente, as coletâneas de versos intituladas "Minha Vizinha Ivete" e "Sonetos de Natal e Outros Poemas".  

Em 25 de março de 1983 assumiu a cadeira numero 25 da Academia de Letras de Campina Grande, cadeira cujo patrono era o compositor Rosil Cavalcanti. Fêz parte de numerosas associações, entre elas o Rotary Club de Campina Grande e Associação Campinense de Imprensa.  

Quando Mamãe faleceu, em 1997, ele veio ficar comigo aqui em Natal. Durante quase um ano e meio, até sua morte em maio de 1999, desfrutei do privilégio de tê-lo junto a mim, já velhinho, esclerosado, esquecido das coisas.  

Seus súbitos lampejos de consciência, que por vezes perduravam alguns dias, lhe faziam recitar sonetos e mais sonetos e contar histórias antigas.  

Às vezes me confundia com sua própria mãe.  

Eu dizia:  

- Não, papai, eu sou Clotilde, sua filha.  

E ele respondia:  

- Não! Clotilde, a minha filha, é uma meninazinha lourinha, bem bonitinha, que quando eu chego em cada ela põe as mãozinhas na cintura e dança contente dizendo: "Papai chegou, papai chegou!"  

Pois é essa meninazinha lourinha que lhe manda hoje um beijo, Papai. Um beijo grande, cheio de luz, de tanta luz quanto a luz das entrelas entre as quais o sr. hoje habita. 

 
 
 
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